domingo, julho 16, 2006

A IMPOSTURA DEMOCRÁTICA: O “APAGÃO” DAS AUTORIDADES E A “TRAIÇÃO DOS CLÉRIGOS”

A política, tal como imaginada pelos clássicos, é uma arte. Arte nobre. Tem a ver com a defesa da “polis” e a emancipação do cidadão. É o amadurecimento cívico, no fundo, que nos interpela, nos incentiva (no cumprimento do Dever) e, por vezes, nos obriga a dizer: “não, senhor”. É por isso que a seriedade das elites é crucial, sobretudo nos regimes democráticos. Elite não é elitismo nem “aristocratices” injustificados. A falência moral da elite dirigente é, aliás, a causa primeira do “desastre africano”. Trata-se de uma falha intelectual, antes do mais. Devíamos compreender este ponto plenamente. E, no entanto, fingimos que o problema não existe. Como combater uma doença se o médico não sabe sequer que ela existe? África, que recebeu, como no-lo recordou Jean-François Revel, muito mais ajuda financeira que o continente asiático, ou a América Latina, afundou-se, enquanto outros países emergentes davam sinais de prosperidade e democracia. Porque África teve uma elite canalha. Uma elite corrupta, estúpida e criminosa, caldeada na prostituição pública alargada. Nações inteiras foram assaltadas por “patifes consumados”, essa bela raça sobriamente descrita no Hamlet de Shakespeare.

Hoje, penso eu, ninguém mais está interessado na mentira ou em pretensas “legitimidades” históricas. São lógicas perniciosas que conduziram aos regimes ditatoriais de Partido Único e à estagnação económica e social.

O inaceitável “apagão” que se abateu sobre a cidade da Praia, privando-a de um bem básico, é um sinal claro da incompetência do actual Governo. Não há luz eléctrica. O cenário é típico das cidades pré-industriais. O Governo, perante essa situação lamentável, que inferniza a vida dos cidadãos e atrapalha o andamento da economia, declara-se impotente, deixando a República suspensa na ladaínha redundante de João Pereira da Silva ou nas lamentações pueris do Primeiro-Ministro, incapaz de explicar ao país a essência do problema e as saídas que o Governo tem, neste momento. A “questão” da Electra é séria e remete-nos para o centro da governação democrática. Como afirmou Jorge Carlos Fonseca, com inteira razão, o povo não escolheu uma empresa para governar. O povo votou, apesar de tudo, um partido político. É esse partido que tem a incumbência de formar Governo (órgão de soberania) e dirigir a política interna e externa do país, incluindo, pois, a política energética. Não compreender isto é não perceber os rudimentos básicos do nosso sistema político e constitucional. Por mais serviçais, marionetes, pupilos e sicofantas que o Governo tenha na manga, prontos para “dar a cara” na televisão, nessa comédia de bordel previamente orquestrada, jamais conseguirá explicar o seguinte:

a) O sr. José Maria Neves não tinha prometido, no início do anterior mandato, que o problema da Electra iria ser “brevemente” resolvido? Prometeu, sim. Logo, é uma farsa dos diabos fingir que o actual Governo foi “surpreendido” e que “nada sabia” do assunto! O Governo enganou a nação, com esse truque sublime. Deve, por isso, uma explicação aos governados. Ou é confiável, ou não é. Se não é confiável, o povo cabo-verdiano ficará a saber, de uma vez por todas, que está a lidar com tratantes e especuladores, e não com estadistas preocupados com o bem comum;

b) Quem assinou o Contrato de Concessão com a EDP/ADP, consórcio português, foi o Governo do PAICV, pelo punho de um distinto cavalheiro chamado Carlos Burgo, no ano 2002 d.C. (este ponto é quase sempre omitido pelas cassandras). No documento rubricado, foram previstos os direitos e os deveres de cada contraente. Um Governo que assina algo do género (em nome do Estado) e, depois, sorrateiramente, critica o conteúdo do mesmo, é, no mínimo, imbecil e irresponsável; não foi decerto para isso que a democracia foi inventada...

c) Se a Electra não está a cumprir a sua parte, como certas criaturas conjecturam, então que o Governo tenha coragem e assuma o seu dever, defendendo os interesses do povo cabo-verdiano, como lhe compete. Se o Governo não o faz é porque sabe que foi a sua política desastrosa (aumento dos combustíveis, défice tarifário administrativamente provocado, inutilização da regulação independente, etc.) que arruinou a Electra, desprovida, assim, de recursos financeiros para certos investimentos;

d) Em qualquer caso, os cabo-verdianos querem saber se temos (?) Governo, órgão de soberania, ou se, por uma espécie de “osmose tribal” somaliana, temos apenas um grupo de bons funcionários, os quais limitam-se a contabilizar, com a frieza de verdadeiras estátuas de pedra, os “cortes” frequentes de energia eléctrica, com toda a sua carga de consequências negativas para o país. Quem governa?, perguntava o outro. Nestas ilhas? É a Sua Majestade a Mentira!

A “questão” da Electra traz à baila um tema central: a Responsabilidade Política. Há por aí um certo “romantismo inorgânico” que põe o Estado entre parêntesis. É uma concepção absurda e populista, que merece ser denunciada. Julien Freund, no seu ensaio sobre “A Essência do Político”, tocou nesse ponto decisivo. Numa crítica a Jean Paul Sartre, para quem “todos somos responsáveis pela fome que grassa na China”, esclareceu que a responsabilidade é politicamente determinável. O argumento sartriano é improcedente. Esquece que havia, na China, um senhor chamado Mao Tsé Tung, o qual adoptou determinadas políticas e arruinou o tecido produtivo. Outras nações, com outras políticas, não viveram qualquer fome. Freund foi claríssimo: “A tese da culpabilidade colectiva dá pouca importância à vontade dos Governos, à realidade material dos instrumentos de que eles se servem, às instituições ..., dissolvendo a responsabilidade no meio de uma vaga solidariedade indistinta...Essa tese contém a ilusão de domesticar o mal tornando cada consciência sua cúmplice inconsciente e involuntária”.

2) Onésimo Silveira escreveu sobre “Cabo Verde e a NATO”. Duas longas páginas sobre defesa, segurança e política externa. Para além de um ou outro lugar-comum (“...a falta de uma força militar credível é uma incongruência estrutural do nosso sistema político...”, etc.), é, sobretudo, um exercício que sacrifica a verdade em benefício de interesses partidários. A falta de seriedade é evidente. “...os tempos mudam, mudam as estratégias...mas nunca mudam os imperativos da defesa e da segurança das nações”. Isto já se sabia há séculos, ou milénios.

A valsa é, quase toda ela, à volta do “interesse nacional” e tem algo de Hans Morgenthau.

O incrível é quando Silveira, numa manipulação subtil, sublinha o seguinte:

“Os nossos soldados, formados numa filosofia de libertação e defesa dos valores de identidade e da soberania...autorizam-nos a avançar de cara levantada para uma virtual parceria com as forças da NATO...”.

A tese, porém, é redondamente falsa. Insustentável. E claudicante.



A “filosofia” fundacional, e matricial, dos “nossos soldados” nada tem a ver, na realidade, com os propósitos da NATO. É uma patranha intelectual tentar impor essa tese, “reinventando” a história. Os “nossos soldados”, caldeados na “luta de libertação”, eram, pelo contrário, o “braço armado de um partido” (o PAIGC). A sua “identidade” assentava na defesa de um bloco político ditatorial e autoritário, cuja fonte de inspiração era, talvez, o Pacto de Varsóvia (a organização militar dos países comunistas totalitários) e não a NATO, que sempre foi uma aliança das democracias liberais, antes do mais. A cultura político-militar das nossas forças armadas era, nos primórdios, tudo menos republicana.

Cabo Verde, ao contrário do falso estribilho sugerido por Onésimo Silveira, só passou a preencher os requisitos de uma parceria consistente com a NATO a partir de 1991/92, quando adoptou uma Constituição democrática e se organizou em Estado de direito (com liberdades cívicas, Governo constitucional, separação de poderes, etc.), abrindo-se, deste modo, ao paradigma axiológico da Comunidade Atlântica, sonhada já por Winston Churchill, esse amante da tradição liberal e da convivência civilizada. O mesmo Churchill que, após a vitória sobre a barbárie Nazi, viria a denunciar a célebre “Cortina de Ferro”, que Estaline ergueu, com astúcia, nas nações supostamente “libertadas” pelas tropas soviéticas.

Durante o Partido Único, com o seu consabido arsenal de valores pró-soviéticos, era impossível qualquer aproximação relativamente à NATO. O quadro “geo-político” fundamental foi traçado, pois, pela Constituição de 1992, e não pelo actual Governo. O Steadfast Jaguar 2006 é apenas um acto simbólico que, estrategicamente, se enquadra na mudança de longo alcance então verificada.

A história é irónica: o partido que renegou a actual Constituição democrática é, hoje, apresentado como o “mago” da nova política externa!

Por: Casimiro de Pina

“THUGS” ATACAM NA CIDADE DA PRAIA

A população de Achada Mato está aterrorizada, e vive por estes dias com o coração na mão, o credo na boca e o ai na ponta da língua. Tudo por causa de uma onda de insegurança que há cerca de dois anos tem assolado aquela que muitos consideram ser uma zona pacata. O caos na zona, fruto da insegurança ganhou proporções alarmantes nos últimos dias. O medo tomou conta de todos. Não há, quem, fique indiferente a este clima. De acordo com os moradores de Achada Mato, ouvidos pela nossa reportagem, alguns elementos, bem identificados, da vizinha zona de Coqueiro são os autores desta onda de insegurança que, doidamente, assola a aldeia.

“Temos sido vítimas, constantes de perseguição e de ataques de alguns elementos de Coqueiro”, revelou-nos Djon Vaz, que, sem medo vai dizendo que existe um grupo de três indivíduos, responsável pela insegurança naquela sua zona. Por estes dias ouve-se tudo em Achada Mato. São disparos de “boca bedju”, pedradas e porrada.

Até este momento contam-se quatro viaturas, totalmente vandalizadas. Dois jovens são outros dois exemplos da ira dos alegados “thugs”. Uma anciã de 70 anos, é outro exemplo de como os “bandidos” atacam para matar, naquela zona. Sentada à porta da sua casa, num dos becos de Achada Mato, Nha Pala foi agredida pelos “thugs” que lhe arrancaram, sem dor nem piedade, dois dentes. Na nossa presença ela até sorriu, mas num gesto de morabeza, pois a dor vai-lhe ainda na alma.

Hélder, um jovem barbeiro foi apanhado de surpresa pelos “thugs” de Coqueiro que meteram-lhe porrada e deixaram-no imobilizado. Recorda a tarde de sábado, 8, quando por volta das sentado junto ao seu local de trabalho, quando foi brutalmente atingido por uma pedrada. Quem te apedrejou? “Foi Nelito e Duco”, afirma, sem dúvidas este jovem. Um outro, Pedro, foi alvo da ira dos “thugs” por volta das 2 da madrugada, desta terça-feira, quando foi surpreendido por “Caboco, Calu de Sisa e um outro, seu cunhado”, assevera, quando interrogado. Para além de ter a cabeça furada, este jovem ficou com marcas também da agressão, na canela direita.

Assustada, a população de Achada Mato vive clamando por insegurança. A dona Bety, entre choros, contou-nos que com medo, é obrigada a fugir da sua casa com os filhos, para procurar refúgios atrás de um bidão de roupa. Sem uma presença masculina em casa, que lhe dê alguma segurança, também esta moradora pede a quem de direito que os acuda.

A dona Ana, uma outra moradora está aflita com este caso. Segundo nos disse, um seu filho já recebeu várias ameaças: “Caboco mandou avisar o meu filho que lhe vão tirar o cabelo com machado e que vão lhe cortar as duas mãos”. Segundo consta, até mesmo os condutores de autocarros que fazem, diariamente, o percurso a Achada Mato, são alvos de ameaças dos “thugs”, facto que deixa a todos preocupados.

Neste momento, e depois de terem constatado que os “thugs” de Coqueiro não tencionam parar com as suas investidas, os moradores de Achada Mato estão agora dispostos a dar o troco, ou seja, preparam-se para responder “forte e feio”. “Agora, vamos ripostar”, afirma um outro morador que, entretanto, agradece a sempre pontual resposta da POP, que, até o momento nunca conseguir deter absolutamente ninguém. “Eles actuam como uns verdadeiros terroristas”, afirma Djon Vaz, que assim como todos os moradores está disposto a dar combate aos inimigos. “Vamos responder pela mesma moeda”, afirma, este nosso entrevistado que garante, categoricamente que, a partir de agora “não vão fugir”.

Filipa é emigrante em Portugal, e desde o passado dia 30, está de ferias em Achada Mato. Na sua face há sinais visíveis de ferimentos. É que quando sente os disparos e as pedradas, na casa, assusta-se, e pelo meio ao escuro, bate com a cabeça na parede e ficam os arranhões. Esta senhora está lateralmente traumatizada com o que está a acontecer no seu berço. Veio com uma filha que, já confessou que “nunca mais” virá à terra dos seus pais.

Enquanto se clama a quem de direito para equacionar este problema de insegurança, todos os moradores estão preparados para a responder, “custe o que custar”.


(in: www.expressodasilhas.cv)

sexta-feira, julho 14, 2006

FIGURA TRISTE DE ZÉ MARIA


De facto, Zé Maria ainda não percebeu que ele está a desempenhar as funções de Primeiro Ministro de um país.

Apareceu recentemente na televisão, visivelmente desorientado, a falar do caso "Electra-Gate". Parecia um mininu mimadu, com um discurso de pobre coitado, a dizer publicamente, em tom de recado ao CA da Electra, que "não somos pedintes". Mas isso toda a gente já sabe! Não é novidade para ninguém! O que queríamos saber, era que solução tem Zé Maria para o problema.

Convenhamos, Sr. Primeiro Ministro, esse tipo de discurso não é digno do cargo que ocupa. Poderia até ser feito por um Alto Funcionário, um Director Geral, ou até mesmo um Secretário de Estado. Não era digno nem de um Ministro. Agora, o Primeiro Ministro vir dar a cara, quase que "chorando", por causa de uma empresa?

A um Primeiro Ministro cabe decidir (!) e não chorar na praça pública. É caso para perguntar: Se Zé Maria (ao que parece, Primeiro Ministro deste país), face ao problema dos apagões da Electra, aparece a "chorar" na televisão contra os Administradores da empresa, então o quê que o povo vai fazer, face a isto tudo?

Os Cabo-verdianos não precisam dessas aparições desastrosas do seu Primeiro Ministro. É que além do mais, vimos um Zé Maria inchado, torcido e com uma imagem muito degradante para um Primeiro Ministro. Sem necessidade!

Se o Primeiro Ministro Zé Maria Neves, quer correr com os portugueses da Electra, então que o faça! Para o fazer, "basta" assinar uns papéis, arcar com as responsabilidade e assumir os riscos inerentes. Nada mais fácil! Não é preciso muito blá blá blá tcheu!

Estamos aqui para ver no que vai dar tudo isto ... Será que vamos ver o JMN virar o disco e tocar o mesmo? Será?

Já agora, só umas perguntinhas ao nosso Primeiro Ministro: Sr. JMN, vai correr só com os portugueses da EDP/ADP ou vai correr também com os portugueses da TEXTIMÉDIA, empresa que tem feito as campanhas do PAICV e que agora controla a Televisão Pública cabo-verdiana? ... Ou será que os Tugas da Textimédia já são mais competentes, lá porque são "amiguinhos" do PAICV? Só os Administradores da ADP/EDP é que estão a "mamar" dinheiro do Estado cabo-verdiano? ... Os mercenários da Textimédia não estão a fazer o mesmo? Qual o critério?

quinta-feira, julho 13, 2006

"ELECTRA-GATE": A SAÍDA ANUNCIADA DE EDP E ADP


O assunto não é assim tão ligeiro. Um novo parceiro não se encontra ao virar da esquina... e Cabo Verde não dispõe de meios para investir na produção de electricidade...

Não deve haver precipitação e radicalismo... A saída da EDP e da ADP de Electra tem custos... polÍticos, diplomáticos, económicos e financeiros. Cria, sobretudo, desconfiança.

Quem se interessará por um mercado pequeno, disperso e com muito fraco poder de compra?

Tenhamos juízo e procuremos as melhores alternativas!

De 2001 a esta parte, tem havido alguma falta de habilidade em lidar com as empresas privatizadas.

O discurso do resgate, da venda do nosso património laboriosamente construído e outros quejandos estão a dar os seus frutos... Amargos!

É normal que isso aconteça. Não é fácil para um Partido de perfil totalitário e centralizador, governar numa economia de mercado. A verdadeira crise começou com a publicação do artigo no Diário Económico...

O Governo que se prepare, visto que vai ter que assumir a gestão da Electra e o fornecimento da Energia Electra, com qualidade...

Se não, o próximo a sair será o Ministro de Energia e a continuação o Governo.

Amarildo

quarta-feira, julho 12, 2006

"ELECTRA-GATE": POPULISMO E OPORTUNISMO POLÍTICO DE FILÚ!

"Rompimento imediato de contrato de concessão com EDP/ADP"
exigiu Felisberto Vieira (Filú)!


Populista como sempre, o Presidente da CMP uma vez mais na sua habitual ânsia de marcar terrenos e ganhar pontos, deu um tiro no pé, ao tentar deitar casca de banana ao JMN e JPSilva.

A Questão do rompimento não é tão simples como populistamente declara o Filu, não obstante ser intolerável a manutenção do actual estado de fornecimento de energia e água á capital.

Estranho é que o Governo em Dezembro do ano 2005 declarara que Praia ficaria de imediato uma cidade iluminada com o expedientismos dos grupos electrogénios (destinados a captar votos em Janeiro de 2006) e até esta, nada de concreto (!) - excepto a prova de que os actos eleitorais geram demagogias de todas as naturezas e fins.

Urge pois, ser esclarecido a toda a população da capital e do pais de forma clara e inequívoca, qual é a responsabilidade dos parceiros EDP e ADP e do Governo e CMP no desastroso processo de fornecimento de água e electricidade á Praia.

Não vá a população da Capital crer nessa habilidosa declaração do Filu, nada preocupado com a questão em si, mas preocupado com as eleições do próximo ano e quantos votos pode render-lhe a questão electra e apagão!!!

Quer vender gato por lebre! Afinal, o Filu está na presidência da CMP há quantos anos!? o que é que fez nesse longo tempo, para resolver o deficiente abastecimento desde então!? Faltou-lhe poder como presidente da CMP ou influência no partido PAICV e no seu governo!?

Nada fez (!), porque é um gestor político incapaz de resolver questões de fundo, socorrendo de demagogias sempre que precisa de votos. Sr. Presidente da CMP, de forma sensata deve demonstrar a todos nós que afinal eu estou errado, o senhor é capaz de promover soluções reais e racionais e especialmente eficiente nessa questão, tão antiga quanto a sua permanência á frente da capital do País.

Como ex-pretendente a candidato a Presidência da República de Cabo Verde, e a líder do PAICV, tem responsabilidades acrescidas, que vão além de rompimento imediato da concessão (que se calhar até poderia vir a justificar!?).

Trabalhe e não venda mais gato por lebre sr. Presidente, ainda tem tempo de melhorar a desastrosa gestão que tem feito na capital!!!

Domingos Centeio

QUE FUTURO (INCERTO) PARA A ELECTRA?

Notícia do jornal português "Diário Económico"

CASO "ELECTRA-GATE"

Electra, detida pela EDP e Águas de Portugal, acumula prejuízos

EDP ameaça sair de Cabo Verde

António Mexia quer a situação regularizada. Caso contrário, abandona de vez o país

A EDP e a Águas de Portugal querem sair de Cabo Verde depois de inúmeras tentativas para que a Electra – empresa detida pelas duas partes em 51% – tivesse uma salvação financeira. A Electra, que é responsável pela produção e distribuição de electricidade e água em Cabo Verde, acumulou um prejuízo de 39 milhões de euros entre 2000 e 2005, sem que a empresa fosse capitalizada.

O Diário Económico apurou que as duas empresas portuguesas chegaram ao limite das suas forças e pretendem que o Governo caboverdiano cumpra os compromissos assumidos desde 1999, altura em que a EDP e a AdP entraram no capital da Electra. As autoridades de Cabo Verde, que detêm os restantes 49%, reconhecem a existência de um défice tarifário que tem levado a Electra para uma situação débil ao nível financeiro e operacional.

(Para obter mais informação, consulte a edição em papel do Diário Económico)

Empresa detida por EDP e Águas de Portugal acumula prejuízos porque Governo caboverdiano não actualiza tarifas. Empresas já falaram com Executivo português.

A DESGOVERNADA POLÍTICA ENERGÉTICA DE ZÉ MARIA

Há mais de cinco anos que Zé Maria tem andado à deriva em relação à política de electricidade do país (e não só!). Não se sabe que medidas concretas está o governo a tomar, para pôr cobro à situação catastrófica da "praga dos apagões".

Aos cabo-verdianos prometeu mundos e fundos nas campanhas eleitorais de 2000 e 2006. Nas últimas eleições, para abafar e silenciar o problema dos apagões (e conseguir mais votos!), foi o próprio Governo de Zé Maria a proceder ao aluguer de geradores e colocá-los ao serviço da Electra, aumentando assim a potência instalada. Com esse truque malabarista evitou-se as sucessivas reclamações por parte da população, em período eleitoral (que não convinha nada!). Terminada as votações ... acabou-se a brincandeirinha do Zé dos Geradores ... e lá voltamos nós à escuridão pós-eleitoral.

Internamente, todos se recordam, JMN prometeu nacionalizar a Electra, jogando tudo por tudo com o sensível problema do "complexo colono/colonizado", tendo chamado inclusivamente cobras e lagartos aos portugueses (da EDP e ADP). Enquanto isso, no plano externo, nas suas frequentes (quase diárias) visitas a Portugal, Zé Maria ia desenvolvendo o seu "lobbie"(inho) junto do Primeiro Ministro português, José Sócrates, para não deixar a EDP e ADP saírem de Cabo Verde.

Até aqui, o problema estava a ser gerido a nível intermédio nas empresas portuguesas, por pessoal técnico, directores e administradores locais, que se fartaram de ser enxovalhados todos os dias, pelo governo de Zé Maria, e querem pôr um ponto final nesta trapalhada toda.

Os resultados da destabilização da Electra, por parte do Governo do PAICV, estão à vista de todos:

- Apagões todos os dias e a toda a hora, sendo a Capital do país, a mais afectada;

- Electra acumulou um prejuízo de 39 milhões de euros entre 2000 e 2005, sem que a empresa fosse capitalizada;

- o Governo não actualiza tarifas;

- A população está irritada como os sucessivos apagões;

- Verbas destinadas ao investimento estão a ser consumidas na compra de combustível;

- Electra reclama uma dívida de um milhão de contos ao Estado;

- As petrolíferas cortaram o crédito da Electra na compra de combustível,

- (...)

Em Lisboa, instalou-se a bomba. São os próprios Big Boss tanto da EDP como da ADP, a tomarem a rédea da questão, vindo a público afirmar a intenção dessas duas empresas portuguesas, de abandonar o barco, segundo eles, pessimamente gerido e comandado desde 2000, com um governo que não honra os compromissos assumidos e tudo exige, politizando todos os lugares de direcção na Electra, como se de uma empresa estatal ainda se tratasse. A situação tornou-se insustentável.

... e agora Zé Maria? Vamos continuar a deitar a culpa ao governo anterior, passados mais de cinco anos? Será desta que os cabo-verdianos vão perceber que o governo de JMN não tem política de electricidade para o país? Será que só assim é que Zé Maria e o seu governo vão perceber que não é a Electra que foi eleita para resolver os problemas de energia do país?!

Se o governo de Zé Maria não consegue em cinco anos (!), um simples acordo com a Administração da Electra, para resolver de uma vez por todas, o descontrolo total dos apagões de electricidade que temos assistido, então é caso para perguntar, como é que o resto dos problemas do país está a ser gerido por este desgoverno do PAICV?


A DEGRADAÇÃO POLÍTICA E SOCIAL CABO-VERDIANA JÁ CHEIRA MAL ... ATÉ LÁ FORA!


Transcrevemos na íntegra um artigo publicado no site "Notícias Lusófonas", que entristece TODO e qualquer cabo-verdiano.

Há cinco anos atrás Cabo Verde não era assim ...


De Cabo Verde chega (mais) um mau exemplo


O exemplo mais acabado de intolerância política entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), contrariamente ao que se pensa e longe do que se poderia imaginar, vem (adivinhem e, se quiserem, pasmem depois!) de Cabo-Verde, a nação mais crioula do mundo.

A diplomacia cultural (o som nostálgico das mornas que os cantores arrancam ao dedilhar a guitarra em noite de paródia e lua cheia) mostra, de forma capciosa, astuta e sobranceira, à União Europeia (UE), à África e ao resto do mundo a face mais conhecida e sem fealdade que se conhece de Cabo-Verde, mas esconde (parece mentira, mas é verdade) o rosto da intolerância política que se vive neste país situado no Atlântico Médio.

É claro que, para alguns, revelar isso é como ser forçado a abrir a goela para engolir o trago forte e amargo daquilo que efectivamente acontece diariamente debaixo do Sol político cabo-verdiano.

Quem tem o desplante de exibir o seu cartão de militante do MpD (ou outro que não o PAICV) numa repartição pública corre o risco de ficar sem emprego ou ainda ser despromovido.

O grau de intolerância do PAICV em relação às outras cores políticas é tão grande e ao mesmo tempo sem tamanho que correu com quase todos os funcionários (jardineiros, copeiros, motoristas, incluindo lavadeiras) que ao tempo do MpD serviram o Palácio da Várzea.


Quando, na cidade da Praia, se recorre ao hospital Agostinho Neto e se sabe que o paciente não é do PAICV obrigam-no (a ele e aos seus acompanhantes, é claro!) a conjugar o verbo esperar no presente do indicativo, independentemente do estado clínico.

Quem neste momento goza de todos (e mais alguns) privilégios nas 10 ilhas que compõem Cabo-Verde são aqueles que, por razões de sobrevivência e, diga-se, oportunismo político, social e económico, militam no partido fundado por Amílcar Cabral.

O grau de intolerância, uma realidade bem camuflada para a União Europeia para África e para o mundo, é tão grande e medonha que aos “tambarinos” (PAICV) e aos “ventoinhas” (MpD) só falta andarem à galheta nas ruas, becos, rotundas e vielas das cidades das ilhas de Cabo-Verde. É uma pena que não se olhe para Cabo-Verde para lá das mornas…!

jorgeeurico@noticiaslusofonas.com (16.06.2006)

CAMARADAS, CADÊ O "5 DE JULHO"?


Ao que parece, este ano o Dia da Independência não foi comemorado em Cabo Verde.

Os camaradas esconderam-se todos (sem excepção) atrás de pequenas cerimónias oficiais/oficiosas e pediram à "Electra", dizimola para não cortar a luz (da vergonha!).

Todos se lembra dos infindáveis festejos que duraram o ano todo de 2005 e irromperam pelos primeiros meses de 2006 (Janeiro e Fevereiro), meses de eleições legislativas e presidenciais. Foi gastar dinheiro do erário público à fartazana. As eleições estavam à porta e era preciso enganar o povo com a festança.

Este ano, ao que parece, não era preciso muitas comemorações e motivos de festa porque as eleições já foram "ganhas" (com fraude, é certo!) e o povo que se lixe!

Para o partido "estrela negra", o povo não merece! O povo não merece porque mais de 30% está no desemprego, logo não querem trabalhar, segundo a visão dos camaradas; o povo anda muito violento, com assassinatos, roubos e crimes horrendos todos os dias, e estão a gastar muito dinheiro nas velas e no petróleo, devido aos apagões ... e para além de tudo isso, mais grave ainda, é que o povo continua a gostar do Dr. Carlos Veiga. Portanto, não merece mesmo!

... e assim vai a pedagogia política cabo-verdiana à moda "Partido Único" ressuscitado. Qual Estaline, qual quê!

terça-feira, julho 04, 2006

CONFIANÇA E DEMOCRACIA

Hoje, em Londres, Praia ou Lisboa, toda a gente fala de “confiança”, como sinónimo de “capital social”. É uma das novas palavras mágicas que enfeitam o léxico político contemporâneo. Fica bem. Dá boa imagem. É sinal de uma certa modernidade, tantas vezes de mera fachada. Os políticos afirmam que é preciso ter “confiança”. Neles? Bem, nos tempos que correm, está difícil! Muito difícil. José Maria Neves é um dos coriféus da “confiança”. Da boca para fora, é claro. Uma coisa é o discurso, tecido com ramalhetes de moralidade, outra, bem diferente, é a prática, onde sobrassaem os vícios mais perniciosos do maquiavelismo político.

Veja-se a forma engenhosa como o senhor Primeiro-Ministro, em tempo hábil, ludibriou a nação cabo-verdiana, lançando, com a preciosa ajuda de alguns calhordas, a ideia de que o desemprego havia descido em Cabo Verde. Que nada! O desempregou subiu, e muito. Hoje, sabemos que a coisa, vociferada nos palanques, foi apenas uma patranha bem urdida, de alta categoria. Parabéns, doutor José Maria Neves! Sabemos, igualmente, que a estória melodramática de que o PAICV iria acabar com os subsídios às empresas petrolíferas foi um imenso logro. Deve, isso sim, 4 milhões de contos às petrolíferas e 2,5 milhões à Electra! O Governo navegou, afinal, no mar da soberana irresponsabilidade, incapaz de conceber uma política energética coerente.

Acumulou dívidas, aumentou a despesa pública, obstruiu a economia, enquanto, alegremente, com bobos da corte e tudo, difundia um tópico muito caro às sociedades liberais (“boa governação”), captado, furtivamente, a medo, nas brochuras coloridas do Banco Mundial e do FMI, por essa malta gira que, no fundo da alma, nunca abandonou o paternalismo burocrático do Partido Único. Para essa gente, a tradição liberal é como ler um livro de quadradinhos! Só serve para distrair. Vão brincando com a coisa pública, a res publica, indiferentes ao clamor de seriedade e aos fundamentos da democracia. Não respeitam nada nem ninguém e, se lhes der na gana, metem criminosos genuínos no Governo, como prova de um compromisso singular com a ética pública! São filhos legítimos da autoritária tradição revolucionária. Não compreendem o Estado de direito. Se a Constituição condena as suas atitudes, pior para a senhora Constituição!


Não admira, por isso, que a política deste Governo seja uma monumental distracção, que transparece, aliás, em aspectos significativos.

Ainda há dias, o Primeiro-Ministro, dando um ar bonacheirão de austeridade orçamental, afirmou, na televisão, que o seu Executivo não renovou a frota de automóveis herdada dos anos 90! Isso para justificar a contenção, relativamente ao aumento salarial pedido pelos sindicatos. Muito engraçado!, dizia um amigo meu, porque, naquela época, não havia sequer desses “Prados” modernos que, hoje, transportam os nossos laboriosos ministros de um lado para outro, inclusivé aos fins-de-semana e feriados! Não sei se algum pensador já o afirmou antes, mas mentir é, realmente, uma arte! E a malta cá do sítio ganhou requinte, reconheça-se.

A brincadeira dos especuladores deu no que deu: mais desemprego, mais pobreza, mais atraso económico e social, no meio de uma criteriosa e inteligente rede de interesses (corporativos) que minam qualquer princípio de equidade ou justiça. A gestão dos terrenos e das ZDTIs aí está para o demonstrar. Nada escapa à voracidade dos Camaradas, Compadres e Clientes.


Ora, tudo tem limites. Não se pode confiar naqueles que mentem por sistema! Esta é uma regra tão simples, tão básica, uma regra de ouro, que os coriféus parecem negligenciar. O problema não é nosso. É deles! Eles não confiam na confiança. Alain Peyrefitte sempre defendeu, como condição do desenvolvimento, a necessidade de haver “confiança na confiança”. É um patamar interior (ético e espiritual) que os nossos coriféus infelizmente não atingiram. Contudo: foi isso que fez a grandeza de certas nações, para as quais o respeito pela lei é assunto de alto valor social, o cerne mesmo da confiança pública. A confiança não pode ser aferida pelo paleio de circunstância da classe dirigente. Longe disso.


É, deve ser, tem que ser, critério de governação. Norma quotidiana. Menos do que isso, não é nada. O bom exemplo, fruto do comportamento honesto das elites e daqueles que estão no poder, é um dos mais poderosos mecanismos de transmitir confiança. Uma elite trapaceira desorganiza, por completo, uma sociedade. Não compreender isto é não ter a mínima noção da política e do comportamento colectivo. As sociedades precisam de normas. Nas sociedades modernas, há aparelhos institucionais responsáveis pela imposição de regras básicas e imprescindíveis, como a justiça, a lealdade e a transparência. Quando essas instituições não funcionam, a sociedade paga um preço muitíssimo alto. A anarquia instala-se, a verdade é menosprezada e os oportunistas e basbaques tomam conta do Estado. O objectivo passará, pois, a ser a manutenção de um poder mesquinho e não a promoção do bem comum, que cederá o seu lugar, na hierarquia das escolhas públicas, à “raison du parti”.


Um outro caso recente que desmantela todo o “capital social” (e a confiança na Administração Pública) é o comportamento do Governador do Banco de Cabo Verde (BCV). O excelentíssimo apresentou os seus números quanto à taxa de inflação e, logo a seguir, entrou numa esfera proibida, saindo, claramente, em defesa do Governo. Ora, o BCV é uma instituição independente e desempenha funções relevantes, desenhadas, desde logo, na Constituição da República. Não se pode transformá-lo num Departamento de Marketing e Propaganda de um partido político ou do Governo. É um péssimo sinal que se transmite ao mercado e aos investidores em geral. Toda a gente, neste mundo globalizado e competitivo, quer um país sério, com regras claras e instituições imparciais que assegurem o jogo limpo e a transparência pública. Como o nosso país é um paraíso de brandos costumes, não duvido que esse é mais um escândalo que terminará em pizza! Na mesma semana, ficámos a saber, pela voz dos sindicalistas, que o Governo, afinal, enganou os sindicatos, em sede de concertação social, quanto à inflação prevista! Alguém arranje um adjectivo para qualificar toda essa truculência do Governo, porque eu, sinceramente, não consigo!

A Agência de Regulação Económica (ARE) deu, igualmente, um golpe inesperado na confiança pública, ao recusar informações solicitadas pelo Grupo Parlamentar do MpD. A ARE devia saber que a Assembleia tem a especial obrigação, que é de ordem pública, de fiscalizar o Governo. É por isso que tanto a Constituição como as leis ordinárias conferem uma série de direitos e garantias aos deputados, incluindo o direito de obter informações de qualquer entidade pública. Se continuarmos assim, mais vale fechar o Parlamento. Ou a ARE, deixando tudo nas mãos do Governo. Acabávamos, de vez, com essa hipócrita fachada democrática.

Há, pois, um dado que é já evidente: os tentáculos do PAICV estão em todo o lado, manipulam descaradamente e já perderam uma virtude outrora mantida com desvelo: a vergonha. A súcia já não tem vergonha na cara. Perdeu a face. Ricoeur dizia que a face é o retrato da dignidade humana. Eu direi apenas, sem referir ninguém em particular, que não se pode construir um Estado (democrático) com trogloditas. É impossível. E mais não digo...


Esses factos, públicos e conhecidos, desmentem a paródia discursiva do actual Governo, nomeadamente a sua intenção de reformar (!!!) a Administração Pública. Estamos todos a ver o sentido político e estratégico dessa “reforma”!


Segundo um inquérito realizado pela empresa Afrobarómetro, a confiança é muito baixa entre os cabo-verdianos. Mais de 80% da população é desconfiada, incapaz, portanto, de construir relações sólidas e alargadas com os vizinhos e concidadãos. A análise social (Fukuyama, Robert Putnam, etc.) já provou, com abundância de exemplos, que isso é muito mau para o mercado e para o desenvolvimento. A falta de confiança empobrece muitos países. Contribui para o reforço da burocracia e instiga um “familismo” que destrói qualquer sentido de comunidade.

O Estado é um dos principais agentes de destruição do “capital social” em Cabo Verde. Esta é a lição que os homens do poder dão, solenemente, à nossa gloriosa nação. Lição cruel, mas verdadeira.

Casimiro de Pina

segunda-feira, julho 03, 2006

SAA TROCA ESCALA EM CABO VERDE POR SENEGAL

SAA fez de Cabo Verde a sua plataforma logística intercontinental de excelência

A transportadora aérea sul-africana "South African Airways” (SAA) decidiu mudar a sua escala técnica, que vinha fazendo ao longo dos anos na ilha do Sal, para Dakar (Senegal).

Uma das fortes razões para justificar a decisão da SAA está ligada aos elevados custos de escala, que em Dakar chegam a ser 15 por cento mais baixos do que no principal aeroporto de Cabo Verde.

A perda de competitividade dos Aeroportos de Cabo Verde está na origem do cancelamento de todas as actividades da SAA na Ilha do Sal, que vê assim o seu aeroporto internacional “Amílcar Cabral” ser trocado para o aeroporto “Leopold Senghor” em Dakar, nos dois voos semanais, que aquela companhia vinha efectuando, entre Joanesburgo (África do Sul) e Atlanta (Estados Unidos).

Apesar da recente adesão da SAA ao acordo "Star Alliance", que obriga a companhia a reconfigurar as suas rotas com destino aos Estados Unidos, os sul-africanos ainda tentaram negociar uma solução de redução dos custos com as autoridades cabo-verdianas, na esperança de manter a tradição dos seus voos em Cabo Verde, mas não obtiveram resultados.

A South African Airways vai deixar saudades ...

A suspensão das escalas da SAA vai acarretar prejuízos incalculáveis à economia cabo-verdiana, mais concretamente às empresas “Aeroportos e Segurança Aérea” (ASA), que cobra as taxas de utilização do aeroporto e do espaço aéreo, à transportadora aérea nacional (TACV), que perderá por sua vez, as receitas do serviço de assistência em terra (handling), e à empresa "Shell Aviation", abastecedora dos aviões.

Recorde-se, a SAA realizou na passada sexta-feira, 30 de Junho, o seu último voo na ilha do Sal, e não houve qualquer tipo de reacção das autoridades cabo-verdianas.

Quem não se lembra do intenso movimento desses aviões na Ilha do Sal ?

EVOLUÇÃO OU INVOLUÇÃO DA DEMOCRACIA EM CABO VERDE ?



CARLOS VEIGA APONTA A EXISTÊNCIA DAS FRAUDES ELEITORAIS A PARTIR DE 2000

O primeiro presidente do MpD e antigo Primeiro Ministro de Cabo Verde voltou a denunciar a existência de “fraude” nas eleições no país. Carlos Veiga fez essas declarações no Fórum Internacional sobre a Democracia que decorreu na Praia, aquando da reunião dos partidos africanos da Internacional Democrática do Centro.

Pela pertinência dessas declarações, o Blog vai publicar na íntegra todos os capítulos da intervenção de Carlos Veiga, segundo a seguinte estrutura:

ELEIÇÕES DEMOCRÁTICAS EM CABO VERDE

EVOLUÇÃO HISTÓRICA

1. PRINCÍPIOS


2. TRANSIÇÃO PARA A DEMOCRACIA

3. ELEIÇÕES DEMOCRÁTICAS EM CABO VERDE

  • EMERGÊNCIA DA FRAUDE ELEITORAL

  • A CONTINUAÇÃO DA FRAUDE ELEITORAL


4.
COMPARAÇÃO DA PRÁTICA ELEITORAL CABO-VERDIANA COM OS PARÂMETROS UNIVERSAIS DE ELEIÇÕES LIVRES E JUSTAS

5. AS CONSEQUÊNCIAS DA PERSISTÊNCIA E DA INSTITUCIONALIZAÇÃO DA FRAUDE ELEITORAL

6. QUE FAZER ?


7. PARÂMETROS DA REFORMA DO SISTEMA ELEITORAL


8. UMA PROPOSTA DE REFORMA ELEITORAL


9. O PAPEL DOS PARTIDOS E CANDIDATURAS

segunda-feira, junho 26, 2006

DESCUBRA AS DIFERENÇAS ENTRE OS BOLETINS DE VOTO DE PORTUGAL E CABO VERDE

No âmbito da Conferência Internacional sobre “Democracia e Transparência Eleitoral”, a realizar amanhã e depois de amanhã (26 e 27 de junho) no Salão do Hotel Trópico da Cidade da Praia, lançamos aqui a comparação entre Boletins de Voto usados nas recentes Eleições Presidenciais de Cabo Verde e Portugal.

DESCUBRAM AS DIFERENÇAS ...

Presidenciais Cabo-verdianas de 2006



Presidenciais Portuguesas de 2006



Dicas:

1 – BOLETIM DE VOTO EM PAPEL TRANSPARENTE

2 – SUPRESSÃO DA LINHA SUPERIOR DE ENQUADRAMENTO DOS CANDIDATOS

3 – «O FUNDO AMARELO»

4 – DIMENSÕES DESPROPORCIONAIS DE FOTOGRAFIAS DOS CANDIDATOS

Click Aqui para mais detalhes

(ver artigo: "ANÁLISE EXAUSTIVA DO BOLETIM DE VOTO")


MPD ORGANIZA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE “DEMOCRACIA E TRANSPARÊNCIA ELEITORAL” EM CABO VERDE A 26 E 27 DE JUNHO

VOTO TRANSPARENTE, O VOTO CONSCIENTE

MPD organiza amanhã e depois, 26 e 27 de Junho, uma Conferência Internacional sobre “Democracia e Transparência Eleitoral” na capital cabo-verdiana, no Salão do Hotel Trópico, com a presença de importantes dirigentes e políticos nacionais e estrangeiros, ligados à “Internacional Democracia do Centro” (IDC).

Assim, amanhã (26 de Junho), logo pela manhã, caberá ao Secretário Executivo da IDC e Secretário Geral do Partido Popular de Espanha, António Lopez Isturiz, apresentar o tema “Eleições Livres nas Democracias Modernas – conceitos e parâmetros” que vai ser moderado Martinez Goutemberg e como debatedor, o congolês François Muamba.

Para o período da tarde, será a vez do ex-Presidente do MpD e ex-Primeiro Ministro, Carlos Veiga, apresentar as “Eleições democráticas em Cabo Verde – evolução histórica”, tema que Eurico Monteiro vai debater e Jorge Santos moderar.

A Conferência Internacional da Cidade da Praia coincide com a reunião do Comité Executivo da IDC – África, a primeira a realizar, na sequência da reunião constitutiva de Janeiro de 2005, estando por isso reservado para o último dia dos trabalhos (27 de Junho) a aprovação do Relatório de Actividades da IDC, do ano anterior e a análise do processo de novas admissões no seio dessa organização política internacional.

Recorde-se que o líder do MPD, Agostinho Lopes participou recentemente na cimeira da IDC – “Internacional Democracia do Centro”, em Bruxelas, sob o tema “Desenvolvimento Mundial: Perspectivas e proposta”, tendo aproveitado a ocasião para contactar os participantes na reunião de Bruxelas, garantindo assim a presença em Cabo Verde desses importantes dirigentes do IDC na conferência da Praia.